sábado, 31 de janeiro de 2009

Sonhos modernos


Um deslumbrante vestido tomara-que-caia;uma calcinha tomara-que-tirem;um sutiã tomara-que-sustente; e...considerando o volume de viados que tem neste país,um homem tomara-que-queira!

kkkkkkkkkkkkk

muito bom!!

Arco Iris

Ahhh eu sempre olho para o céu. Tenho o hábito de admirar a natureza. E hoje registrei o que o céu me proporcionou de mais belo!
Minha filha adorou, nunca tinha visto um. Ficou tão encantada quanto eu!!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

TPM, quem eu????


Eu não sei se todos pensam igual a mim, mas acho os domingos pior que as segundas. Hj até que estou de bom humor, conseguindo levar o dia na tranquilidade. Mas pra ficar melhor, leiam essa aí em baixo. Eu não sei pq, mas me identifico muito!!!kkkkkkkkkkkk
O mau humor me acompanhava naqueles dias. Aqueles dias. Acordava comigo, dormia comigo, tomava banho, agredia desavisados, enchotava pombos na rua. Essas coisas normais.Seguindo a regra universal, comecei o dia mal. Cheguei ao ponto atrasada e perdi o ônibus porque derramei café na roupa e, quando fui trocar, vi que todas camisas estavam amassadas. Mas tudo bem. Ouvindo uma musiquinha tudo melhoraria. Abri a bolsa para pegar o fone e escutar alguma coisa calma. O fone não estava lá. Deixei no bolso da blusa em que derramei café. Legal.- Ô, mocinha! Dá aí um desses, por favor?, gritei para uma distribuinte de folhetos que passava.Nem sabia do que se tratava, mas precisava de distração enquanto o sol rachava minha cabeça ao meio.Meia hora depois, já ciente de todas as ofertas do Mundo dos Amortecedores, o ônibus passou. Lotado. Depois de ralar o braço num cara suado e desviar a bunda de um outro com carinha de tarado, lutei com uma gordinha cheia de sacolas para pegar um lugar vago. A gordinha ganhou. Aceitei a derrota como quem recebe um prato trocado no restaurante, mas fica com ele porque está morto de fome. Um ponto depois, a babaca se levanta. Sentou por um ponto. Ridícula. Mas dessa vez não tinha jeito, o lugar era meu. Assim que ela se levantou, fui encoxando a fofinha pelas costas, pra garantir que o primeiro vão entre ela e o banco seria minha entrada. Meu peito foi ficando esmagado entre as dobrinhas das costas dela e quase fui sugada pelo rego abissal da moçoila. Mas consegui. Me sentei aliviada e feliz. Finalmente a coisa estava melhorando. Peguei o folheto dos amortecedores e resolvi dar mais uma lida. Foi quando senti o pescoço da senhorinha sentada ao lado se esticando em minha direção, num estilo ET de ser. E não tem nada tão irritante quanto um desconhecido pescoçando sua leitura.Segui tentando ignorar o fato, até que uma curva sinuosa jogou a senhorinha pra cima de mim. Baixei o folheto e olhei bem firme para ela. Nem desculpa ela pediu.Inocente nesse mundo, achei que depois dessa, a senhora sairia fora. Não. Logo estava ela novamente invandindo meu espaco. Quando senti o queixo dela encostar em meu ombro, resolvi agir. Me concentrei e usei o tom de voz mais meigo que consigo fazer.- A senhora quer ler esse folheto?- Quero não.- Pode ficar.- Por que você tá me oferecendo?- Porque achei que a senhora estivesse interessada.- Você tá é doida.Nã, nã, nã, uma veiota sem noção não ia acabar com meu dia. Ou piorar. Foda-se a boa educação, o respeito aos mais velhos, as conseqüências na próxima encarnação. Que eu volte como pulga, como pedra, como banda de pagode, mas não ia ficar quieta.- Doida não. A senhora estava quase deitando em mim.- Nem sei da onde que você tirou isso. Vaca.- É o quê? Vaca?- Vaca, puta.- A senhora tá bêbada?- Acha que velho não xinga? Otária. E agora cala essa boca que vou escutar uma música aqui no meu êmepêtreize.- Vai nada! Agora a senhora vai me escutar. Só porque é uma velha acha que pode abusar, pode ser mal educada? Mas ó, a senhora fique sabendo que é uma velha muito feia, muita má, falei achando que velho é que nem criança. Mas não adiantou.- Me deixa em paz, sua corna.- Não, a senhora vai pedir desculpas.- Porra nenhuma.- Então toma essa porra de folheto. Agora vai ler tudo.- Pára de empurrar isso, pára. Sai fora, sua drogada. Você usou tóxicos, foi?- Drogada o caralho. Enfia essa merda no…- Pára com isso, menina, não quero isso não. Sai pra lá.A essa altura o ônibus todo já estava alvoroçado. Os mais próximos, que viram tudo, torciam por mim. Os mais distantes começaram a tacar papel, sem saber de nada. Percebi que a coisa ia ficar feia pro meu lado. Tive que levantar pela minha vida.- Eu não fiz nada, essa senhora me agrediu antes.Foi pouco. Vaias e objetos mais firmes começaram a vir em minha direção. Fui me encolhendo na cadeira e pensando no que fazer pra não ser linchada. Os gritos de fidaputa foram aumentando. Cheguei a escutar um "Ela agrediu a senhora! Vão descer a mão." Tentei pensar rápido. E meu instinto de sobrevivência só achou uma solução. Levantei novamente e com voz grossa e um sotaque que era mistura de bahiano com ovo na boca, mandei:- Aqui é o demônho.Na primeira frase o silêncio tomou o ônibus. Tratei de virar os olhinhos e lembrar dos programas que via nas madrugadas insones.- Essa menina tá tomada, berraram lá de trás.- Eu sabia!, disse a véia.- Cala a boca, piranha, emendei eu, agora com liberdade diabólica para tal.- Eu vou dominar o mundo todo. Começando por essa menina. Depois vou pegar vocês.Meu plano estava dando certo. Os passageiros estavam paralizados e comovidos. Ao fundo ouvia gritinhos que iam de aleluia a "pára o ônibus que vou descer". Já ia desenvolvendo meu discurso quando ouvi:- Sou pastor! Me deixem passar.- Puta merda… pensei comigo, já prevendo o show.Era um senhor bem branquinho, quase albino, magrinho que só. Foi lá pro meu lado e colocou a mão bem espalmada sobre minha cabeça. Fazendo pressão, me botou ajoelhada sobre o banco. Eu, pra manter a pose, ficava ali gemendo. E xingando a velha.De repente, o senhor pastor se enraiveceu e começou a berrar "sai capeta, sai, volta pra não sei onde." Era fato. Eu tinha que interpretar. Dar tudo de mim, encontrar meu lado atriz. Era isso ou ser linchada. Abri o arquivo de referências de terror no meu subconsciente e passei a fazer tudo que vinha. Fazia uns sons inspirados no chewbacca, cantei ilariê ao contrário, uivei, tentei girar a cabeça 360º. E xingava a velha, claro.- Velha doida! Vou te pegar de noite, vou arrancar sua cabeça, vou arrancar suas tripas pela bunda.O exorcismo estava funcionando. Fui liberando tudo. Aproveitei pra xingar o chefe, o ex, a amiga traíra, o Bush, as micaretas. E uma paz interior inabalável foi me possuindo. O problema é que quanto mais eu amaldiçoava meio mundo, mais o pastor ficava agressivo. Me sacudia, balançava minha cabeça, puxava o cabelo. Quando senti o café da manhå subindo, achei melhor parar a coisa. Vomitar até cairia bem, mas não queria me sujar. Já estava livre de ser linchada àquela altura. Decidi que era hora de acabar. Fingi desmaiar na cadeira e pronto, ouvi uns gritos comovidos. Consegui. Virei a mocinha, vítima do mal. Até a véia foi me ajudar. Mulheres me abanavam, homens abriam espaço, criancinhas choravam, religiosos rezavam. Abri os olhos e fiz cara de coitada:- Eu estou bem, eu estou bem, sussurei com uma voz bem fraquinha, cerrando os olhos como quem acabou de acordar.E alguém repetiu:- Ela está bem, ela está bem!O ônibus todo, cada um com sua fé, foi agradecendo a seu Deus. Era graças a deus pra cá, aleluia pra lá. As pessoas se abraçavam, sorriam, comemoravam como copa do mundo. Eu levantei, acenei para o público e abracei o pastor, aplaudido por quase um minuto. Graças ao trânsito, meu ponto ainda não tinha passado. Mas estava próximo. Dei o sinal, agradeci a todos, pedi que rezassem sempre e prometi conhecer a igreja do pastor, chamada Tô com Deus e não Abro.- É pra dar um ar jovem, ele me explicou.Saí do ônibus aliviada e renovada. Nada mais eficiente que um desencapetamento pra acabar com uma TPM.
Texto retirado do blog redatoras de merda

sábado, 24 de janeiro de 2009

2009...


Estranho, fiz um blog e nunca sei o que esccrever. Sempre uso textos de terceiros, que acho interessante. Não gosto muito de escrever sobre meus dias e blábláblá. Mas pensei... Leio outros blogs e todos escrevem com tanta naturalidade e as vzs nem aconteceu nada que aparentemente seja muito significativo. Mas mesmo assim, eu por exemplo gosto muito de fuxicar outros blogs e saio lendo tudo. Passo hrs, na maior parte acho tudo interessante. Hj resolvi arriscar. Adoro escrever, só não gosto de falar de mim mesma, mas sinto essa necessidade. Ai, nem eu estou mais me entendendo....

Bom, continuando, vou falar de como iniciei o ano. Maravilhosamente delicioso o meu primeiro dia do ano. Praia, dia lindo, temperatura da água perfeita, acompanhada com boas pessoas, bons amigos, sem filha e sem marido. Um dia só meu. Que falta sinto disso!!!

O segundo dia fui em um lugar, pode-se dizer, curioso. Fui em uma boate Gay. Para muitos, normal. Mas pra mim foi uma novidade. Quando cheguei, tive a sesação de estar entrando no lugar mais pecaminoso do mundo. Mas acho que era pq o lugar é meio escondido, e ainda tinha faltado luz. O estilo da casa rústico, parecia no escuro uma obra abandonada. rsrsrs

Luz voltou, a casa abriu, aquelas músicas com muita batida, chega a enjoar.

Enquanto dançava observava os carinhos calientes dos pombinhos apaixonados. E eram muuuuitos. Que horror!! Não tinha um homem alí no qual eu olhasse na rua e disesse, esse é viado! Eram todos bonitos, pelo menos bem tratados, com estilo. Loucura! Percebi que eles, a grande maioria são malhados, se preocupam com o corpo. Agora todo homem que vejo na rua assim, me pergunto, será que ele é??

Gente, e os beijos, carinhos, amassos, trocas de olhares... Nem eu, que sou mulher ( e gosto muito da coisa viu!!) recebo ou já recebi carinho assim. É totalmente diferente!! Nem sei explicar. Mas nem um homem dançou comigo daquela forma, me pegou daquela forma, me beijou daquela forma. Cheguei até a sentir iveja, acredita nisso??RSRS

No meio da noite tem uma presentação de humor com um travesti. Muito bom!! Ela de cara percebeu que não fazia parte daquele mundo. Aí me perguntou se era bom ser piranha. Imagina euzinha respondendo isso no microfone!! Pensei em responder:" é né lindinha, o que adianta ser piranha se aqui não tem homem pra mim??." Mas não podia responder algo que pudesse agredir os que alí estavam. E nem era essa a minha inteção. Não tenho preconceito, é bom deixar isso bem claro!

E ainda teve um gogoboy, que ficou peladinho, a um metro de distância de mim!! Feinho esse, tadinho!! Não olhava pra nada e ninguém. Senti que ele estava desconfortável alí fazendo isso. Talvez pq o seu namorado estava na platéia, sei lá...

Dançei muito, tirei foto, filmamos o gogoboy e como meu amigo disse, achei tudo "bizarro!" Que homens são esses que nem me notaram, cheguei a me sentir feia!! Não é um bom lugar, se a mulher estiver pecisando levantar sua alto estima. A não ser que tenha dúvida em sua opção sexual. No meu caso, saí de lá com toda certeza sabendo do que gosto!!!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Sou assim...

Vcs vão ler no meu perfiu um pouco de mim. Mas para quem quer saber mais, de forma menos poético eu lhe digo que sou cheia de defeitos. Sou eu apenas para quem eu quero ser. Não estranhe se eu não me mostrar inteira pra você, pode saber que não quero ser sua amiga ou não gostei do seu jeito. E muitas vezes não sei como dizer isso. Por isso, me fecho. Sorrio pouco, não estico a conversa, não acho graça nas brincadeiras. Não gosto de intimidades repentinas. Se você não conhece meu filho, não pergunte por ele como se conhecesse há tempos. Vai soar falso pra mim e é bem provável que, ao responder, eu faça uma careta sem perceber. Minha simpatia não é gratuita. Escolho bem para quem vou dar os meus sorrisos.Provavelmente você vai ouvir dos meus amigos uma descrição que não bate com o que você acha que conhece de mim. Vai ouvir que sou alegre e converso bastante, que falo coisas bobas e divertidas. É, não parece a mesma pessoa. Me desculpe, não posso ser como eu sou com todo mundo. Tenho que ser conquistada com sinceridade. Gosto de pessoas autênticas, carinhosas e abertas. Não me venha com seu ar blasé, garanto a você que o meu é bem pior. Nem force a barra me comparando com você, dizendo que somos do mesmo signo, temos gostos parecidos, que somos iguais nisso ou naquilo. Comigo é devagar, é com inteligência, com humor, com refino. Sou isso mesmo que você está pensando, sou metida a besta, me acho melhor em muita coisa, gosto de ter razão, acho que estou certa na maioria das vezes, sou orgulhosa. Agora me diga você os seus defeitos, que não sejam esses que já coloquei aqui.

Tortura Moderna!

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.- Vai depilar o quê?- Virilha.- Normal ou cavada?Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.- Cavada mesmo.- Amanhã, às... deixa eu ver...13h?- Ok. Marcado.Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.- Quer bem cavada?- ...é... é, isso.Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.- Ah, sim, claro.Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).- Pode abrir as pernas.- Assim?- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.- Arreganhada, né?Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.- Tudo ótimo. E você?Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.- Quer que tire dos lábios?- Não, eu quero só virilha, bigode não.- Não, querida, os lábios dela aqui ó.Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.- Olha, tá ficando linda essa depilação.- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?- Hein?- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.- Segura sua bunda aqui?- Hein?- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:- Tudo bem, Pê?- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu tuin peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.- Penélope, empresta um chumaço de algodão?Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.- Máquina de quê?!- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.- Dói?- Dói nada.- Tá, passa essa merda...- Baixa a calcinha, por favor.Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.- Prontinha. Posso passar um talco?- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio preserveasbucetaspeludas.com.br. Queria tudo.Menos namorar.


Blogger Redatoras de Merda



Adorei quando lí esse texto. E é uma maneira muito bem humorada de iniciar esse espaço!